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Hipótese de Síndrome de Ogilvie. Teste seu conhecimento!

Fernanda, 28 anos, foi submetida a uma operação de cesariana, evoluiu no P.O. com grande distensão abdominal, e dor difusa à palpação, porém sem sinais de irritação peritoneal. Raio X do abdome com grande distensão colônica com diâmetro cecal estimado em 10 cm. Foi levantada a hipótese de síndrome de Olgilvie, sendo tentadas todas as medicas clínicas iniciais sem sucesso. A medida mais apropriada agora é: …

Saiba mais sobre a Síndrome de Ogilvie

A Síndrome de Ogilvie ou pseudo-obstrução aguda do cólon é uma entidade rara, que geralmente ocorre em pacientes hospitalizados portadores de alguma doença clínica ou cirúrgica. É caracterizada principalmente por acentuada distensão do grosso intestino com ausência de qualquer mecanismo de obstrução mecânica. Se este processo não for de alguma maneira interrompido, o ceco, que é a área que atinge maior grau de dilatação, poderá romper-se e conseqüentemente evoluir para um gravíssimo quadro de sepse abdominal.

Síndrome Ogilvie foi descrita em 1958

Descrita pela primeira vez em 1948 por Heneage Ogilvie, esta síndrome, que leva seu nome, permanece até hoje com sua exata fisiopatologia ainda desconhecida, parecendo ser conseqüência de alguma alteração no equilíbrio dos estímulos simpático e parassimpático, da inervação autônoma dos cólons. A dificuldade em estabelecer sua real incidência, também foi relatada por Stephenson e col, em decorrência de que alguns casos podem ter resolução espontânea.

   As mais variadas formas de doenças têm sido descritas na literatura como sendo capazes de ocasionar as alterações que desencadeiam este problema. Cirurgia recente em qualquer órgão ou sistema,, queimaduras, trauma miocardiopatia severa, infarto, septicemia, entre outras, foram as mais citadas. A Síndrome de Ogilvie é mais relatada em pacientes idosos, independentemente da raça e com predomínio no sexo masculino. O quadro clínico é caracterizado pela distensão abdominal aguda, progressiva e universal.

Náuseas, vômitos, parada de eliminação de flatos e fezes e hipertimpanismo à percussão também compõem o quadro. A ausculta do abdômen traduz como regra uma diminuição de peristaltismo tanto no timbre quanto na sua freqüência. A palpação mostra sensibilidade aumentada, porém quando associada a sinais de irritação peritoneal, a possibilidade de isquemia ou ruptura do ceco deve ser sempre considerada. Outros sinais ou sintomas que indicam esta complicação são febre alta, agravamento da dor e leucocitose.

Radiologicamente observa-se acentuada distensão entérica principalmente as custas de todo o intestino grosso, porém sem nenhuma evidência de obstrução mecânica. Ainda pelo exame radiológico podemos mensurar a área do ceco, que quando atinge a marca de 12 cm, aumenta em muito a possibilidade de ruptura2 deste segmento. O diagnóstico é feito por exclusão, baseado nos achados clínicos e exames complementares de imagens, devendo sempre afastar qualquer processo oclusivo de natureza mecânica.

Abordagem terapêutica

A abordagem terapêutica desta enfermidade é eminentemente clínica fundamentada na reposição hidroeletrolítica adequada, na aspiração por cateterismo nasogástrico e no tratamento da doença básica. Medicamentos que possam diminuir o peristaltismo devem ser descartados. O uso de parassimpático mimético obtém resultados satisfatórios, segundo Ponec, Laine, e Stephson .

Entretanto, estes autores chamam a atenção para os efeitos colaterais que estes fármacos podem acarretar (bradicardia, broncoespasmo, aumento da salivação e das secreções das vias aéreas entre outras), e advertem ainda que devam ser contra indicados em pacientes com infarto do miocárdio, ou em uso de betabloqueadores.

Foto mostra imagens de exames de imagens com o médico apontando uma caneta para uma das imagens
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A colonoscopia é de grande importância nestes pacientes, pois além de confirmar a inexistência de processo obstrutivo mecânico, pode ainda propiciar a aspiração do conteúdo dos cólons, diminuindo assim o grau de distensão abdominal. Entretanto, este procedimento além de fracassar em cerca de 40% dos casos não é isento de riscos. A dificuldade técnica em realizá-lo devido à ausência de preparo e a grande distensão do intestino pode ter como conseqüência uma perfuração colônica.

Nos casos em que fracassam a abordagem clínica ou colonoscopia, ou ainda em vigência de sinais e sintomas compatíveis com isquemia ou perfuração do ceco, a laparotomia exploradora se faz necessária. A abordagem mais utilizada tem sido a cecostomia com tubo. Entretanto nos pacientes com isquemia ou ruptura do ceco, impõe-se a ressecção da área isquêmica ou perfurada.

Fonte: Sociedade Brasileira de Patologia Clínica – SBPC

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